PROSA QUASE POESIA

by Adauto Carvalho



 
 

ESTRELINHA

 

 

Olho para o céu e a escuridão da noite ressalta milhões de brilhantes que adornam o manto azul escuro como um lindo bordado.

 

São estrelas.

 

Tão bonitas, brilhantes e distantes que deixam a imaginar o que são estrelas e qual o seu significado naquele imenso bordado celeste, ou, o que seria do céu, em sua imensidade, sem as estrelas para aumentar-lhe a beleza e a luminosidade.

 

Uma daquelas estrelas é minha. Eu ja não sei qual. O meu pai de deu num dos raros momentos de ternura que me lembro. E garantia que ela sempre estaria lá iluminando os meus sonhos e que esses sonhos seriam os meus mais corretos caminhos na vida. Achei o presente mais legal que recebera em minha infância pobre: uma estrela e uma companhia para iluminar os meus caminhos na vida. Quando somos crianças tudo são caminhos. Hoje, ao sessenta anos, volto a olhar o céu e buscar aquela estrelinha, que já não a distingo entre tantas outras, milhões delas, mas que me pertence e que meu pai prometeu que me guiaria em todos os momentos da vida. Muitos caminhos crianças e adultos já foram trilhados e, algumas vezes, senti a luminosidade daquela suposta estrelinha. Mas, a vida prossegue e a dúvida se repete: qual caminho seguir e, como uma criança, seguir o caminho daquela estrelinha?

 

A nossa vida é a nossa história e a história é infinita. Talvez seja esse o rumo que a estrelinha quisesse me apontar. Os caminhos, novos ou velhos, não surgem. Eles são construídos, meras continuidades de passos anteriores e possibilidades de passos futuros, mas sempre iluminados pelas estrelinhas que adornam os nossos sonhos.

 

Somente agora descobri o que meu pai tentou me dizer que a luminosidade da vida não estaria nos percalços dos caminhos, mas nos sonhos, na motivação interior, que nos impulsiona a caminhar em busca das estrelas. Aí, talvez, o motivo pelo qual elas permanecem, sempre, tão distantes de nós.

 

Há uma citação, atribuída a Sinval Medina, poeta e escritor brasileiro, que nos ensina que “o homem jamais aprende a viver, nascer é muito cumprido”. Meus Deus, por que aprendemos algo tão simples de forma tão exaustiva e com o olhar translúcido das estrelas?

 

A vida é algo simples e sempre ao alcance. Nós é que a transformamos em algo complexo e distante. Os grandes símbolos da vida, as virtudes, bases universais da felicidade, sempre estiveram presentes nas coisas pequenas ou simples, nos momentos passageiros, nos gestos negados, nos abraços sem calor e os substituímos por paradigmas com formas e normas. E, sem entendermos nada de estrelinhas, trocamos o ser pelo ter e, permuta a permuta, nos distanciamos de nós e de quem amamos ou nos ama. O ponto de chegada é a solidão. Um lugar sem luz, pelo simples fato de que, em algum momento, não fomos capazes de nos guiar pela lânguida luz de uma estrelinha.

 

Eu sempre imagino minha vida como um filme. Tento, nas minhas imperfeições, reviver cada cena como se o passado pudesse se tornar presente e o presente uma nova oportunidade de ser feliz, o resgate da possibilidade perdida no ontem. O tempo não se recupera. O tempo se vive, se ilustra ou se escreve, para que amanhã você tenha a efetiva definição de quem é você e a obra da sua vida em muitas imagens. Os conflitos existenciais são obras nossas, a nossa cegueira proposital por se guiar por uma luz que não era nossa. Quando esta luz, fugaz, nos, falta, resta-nos a escuridão. E a escuridão é a imagem final do filme de sua vida. Ontem eu entrava no Banco do Brasil, na agência próxima da Receita Federal do Brasil, local onde trabalho e, enquanto aguardava na fila, uma velha senhora, mãos trêmulas, segurando uma bengala que não parava de dançar em passos disformes, se dirigiu a mim e humildemente me perguntou:

- você é Adauto?

- Você lembra de mim?

 

O mais ensurdecedor silêncio me invadiu. E, honestamente, pedi-lhe desculpas e tentei transmitir alguma simpatia possível naquele momento tão constrangedor para mim. Ela, com um fiozinho de voz, respondeu: Eu sou Beatriz. Sua primeira professora. E, após alguns momentos de alegria, ela me confidenciou que o seu maior prazer era reencontrar os antigos alunos e perguntar que caminhos seguiram. E, orgulhosa, citou alguns nomes renomados e símbolos de uma vida vitoriosa, pelos padrões do mundo (promotores, juizes, políticos, empresários, servidores públicos etc), e que começaram pelas mãos humildes, mas humanamente infinitas, daquela velha senhora.

 

Nos despedimos e sai do banco com os olhos molhados por mornas lágrimas de saudade de mim. Era um fim de tarde, quase noite. As primeiras estrelas começavam a piscar. Olhei para o céu e não procurei a minha, mas a de Dona Beatriz. Meu Deus, pensei, como é fácil seguir a luz das estrelas. Elas nos levam ao encontro de nós mesmos e. como uma luz a piscar, nos transformam em pessoas livres e felizes. A felicidade é uma estrela. Dona Beatriz é uma estrela, é uma mulher feliz por ter mantido nos seus olhos envelhecidos pelo tempo a eternidade do brilho das estrelas. Aquele céu estrelado se transformou em minha mente no angelical rosto de minha primeira professora.

 

Aquela imagem me comoveu e entristeceu o mais íntimo dos meus sentimentos. Relembrando aquela imagem de mulher, quase divina, como seus olhinhos a brilhar ao me reconhecer, e no enorme desgosto de não tê-la reconhecido, mantive no coração a mais cruel das dúvidas: Meu Deus, em que momento da vida eu me perdi da minha estrelinha? Um enorme silêncio se fez.

 

No céu, com a chegada do anoitecer, milhões de estrelas piscavam. E uma delas fora minha. Meu pai me dera como um presente para todo o sempre e que eu não fui capaz de usar e valorizar, mas, com certeza, ela continua lá, brilhante como sempre, eu é que banalizei o meu olhar para as coisas que verdadeiramente importam na vida.

 

(ESTRELINHA, artigo de autoria da Adauto José de Carvalho Filho, AFRFB aposentado, Bacharel em Direito, Consultor de Empresas, Contabilista, Pedagogo, escritor e poeta).



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Escrito por ADAUTO CARVALHO às 21h01
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CLAUSURA

 

 

Claustro em mim mesmo, vivo recluso/ No disperso convívio das utopias/ Pensamentos a vaguear escusos/ sem sentido, sem relevo, só fantasias.

 

O mundo ao redor, cárcere mundo/ Fosso de sentimentos, valado, profundo/ Limite abstrato que aprisiona/ Os meus sonhos latentes, e num segundo/ Em verdade, a vida os abandona.

 

Sempre a vaguear/ Em busca do nada/ Ou da existência que um dia perdi/ Dispersas em realidades inanimadas.

 

A vida se revela no tempo, sempre contida/ Alma cativa, estéril, desvanecida/ E a felicidade insistentemente buscada/ É vã ilusão no tempo esquecida.

 

O tempo passa, a vida passa/ Espaço vazio de ansiedade/ Ilusões que vagueiam dispersas, e a realidade/ Confunde-se assim inerte, sem alma.

 

E a solidão, tosca ilusão de liberdade/ última parceira que ao convívio resiste/ Silencia a vida que passa assim, em transe, calma.

 

O passado, pedaço de mim tão distante/ Recordações sem saudade, lenta agonia/ Retalhos perversos de tempo, lembranças sombrias/ Que me acompanham ao longe, pálidas, sem serventia.

 

Viver, viver, um estranho viver/ Sentimentos consternados que o silêncio recrimina/ Inerte viver que me atormenta o ser, e ao ser ensina/ nos momentos de solidão, o valor da vida, mesmo em vão.

 



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Escrito por ADAUTO CARVALHO às 20h23
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VIGIAR E PUNIR

 (OS TRÊS PODRERES DO BRASIL)

 

No Brasil há políticos habilidosos e labiosos, aliás, mais labiosos do que habilidosos. A labialidade e a capacidade de dissimular são características ímpares dos nossos políticos. Mas, pasmem, há exceções. Há uns poucos que tem competência e capacidade de exercer o cargo dentro dos padrões mínimos de decoro e competência exigidos. Por serem tão poucos se tornam referências nacional, mesmo que tenham, também, habilidade política e labialidade na eloqüência dos seus posicionamentos. E, aprendi muito cedo, em minha meninice, que quando um burro fala os outros murcham as orelhas. O ditado popular é um elogio nordestino à figura daqueles que falam, sabem o que dizem e são acreditados.

 

Eu li uma pequena nota publicada na Coluna do Jornalista Walter Gomes, no Jornal de Hoje (o de Natal, não o da Globo, chiquérrimo), uma declaração do Senador Pedro Simon, pouco interessa o “P” a que é filiado e que nos impõe uma reflexão mais acurada sobre o atual Estado Brasileiro e suas instituições: “não esperem nada do Congresso, do Judiciário e do Executivo. Se não fosse o movimento da cidadania e das redes sociais na INTERNET, o projeto Ficha limpa jamais teria sido aprovado”. E Pedro Simon, pela sua biografia e postura política e seu papel na vida pública brasileira nos últimos anos, merece ser ouvido.

 

O que se depreende da afirmativa do Senador?

 

Em primeiro lugar, uma agressão a Constituição da República Federativa do Brasil que dispõe que os poderes devem ser harmônicos e interdependentes entre si. Não há um poder maior que outro, mas poderes com competências diferentes e convergentes que, juntos, compõem o Estado Republicano. Sinceramente, com tantos escândalos nacionais em todos os poderes, eu não sei, proselitismos à parte, qual o alvo que mais sofre agressão: se a Constituição Federal ou o malfadado Estado Republicano, que poucos sabem o que é exatamente por ser continuadamente desmoralizado.

 

As palavras de Simon tem um eco incontrolável. Um grito dado no silêncio de uma entrevista e difundido num cenário de cachoeiras e cascatas. Um bicheiro põe em cheque a República e os que deveriam, por juramento, respeitar a Constituição Federal, ficam com meias palavras e meias verdades enquanto seus nomes ainda não engrossam a lista dos envolvidos e os supostamente envolvidos simplesmente desconversam ou renunciam aos cargos que ocupavam, por algum tempo, com a certeza de que voltarão em outros cargos, talvez com mais poder. Na verdade, o tal poder não é poder, mas a capacidade de se comunar para agredir o erário público, e, com a certeza da impunidade e com o comprometimento clarividente entre os poderes, agredirem de morte a Constituição e o Estado Republicano.

 

Considerando a práxis continuada de agressão e impunidade, com as quais convivemos comodamente, reverenciamos o escritor Nelson Rodrigues ao abstrairmos que no Brasil a Constituição e a República gostam de apanhar. E só deixam a inércia, que lhe são princípios, quando o Brasil já julgou o fato e num gesto teatral pune o caseiro por ter ouvido uma trama tenebrosa e não cumpriu sua cidadania de denunciar. O infrator e os demais membros que, por competência deveriam apurar e punir se sentem satisfeitos e voltam para os seus diletantismos.

 

Vigiar e Punir.

 

Michel Foucalt, um dos grandes pensadores da atualidade já nos alertava, quase suplicante, sobre as atribuições do Estado e dos homens do poder. É a famosa harmonia e interdependência que fala a nossa ultrajada Constituição e que soa ao contrário à República. Não sei para que tantos salameques para parecer educado se o cenário é de total falta de educação e, como já nos ensinava Sólon, legislador grego: as leis são como teias de aranha. Se alguma pobre criatura fraca é apanhada por elas fica aprisionada; mas uma outra mais forte pode rompê-la e ficar livre ou...

 

... Como bom nordestino, vamos ao popular e invocar o satírico Coronel Chico Heráclito, que não era coronel, mas raposa política, e reconhecermos que estamos aprendendo, com muitas dores lombares, que a lei é como uma cerca. Quando é forte, a gente passa por baixo. Quando é fraca, a gente passa por cima. É a sina da Constituição Federal e do Estado Republicano Brasileiro. Acho que vou sair de fininho e entrar com um hábeas corpus preventivo, afinal, estamos no Brasil.

 

Viva a República.

 

Vidas longas aos governantes e muitas bolsas, nos mais diversos nomes, para o povo e a festa estará garantida.

 

(VIGIAR E PUNIR, artigo de autoria da Adauto José de Carvalho Filho, AFRFB aposentado, Bacharel em Direito, Consultor de Empresas, Contabilista, Pedagogo, escritor e poeta).

 



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Escrito por ADAUTO CARVALHO às 18h31
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ELOGIO AO OBVIO

 

 

Dizem que os princípios doutrinários de Maquiavel, transcritos em sua obra “O Príncipe”, ainda perduram nos dias de hoje. Os administradores, em especial, os da seara pública, usam esses princípios à exaustão. Eu não vou me ater a esse aspecto. Eu acho que em se tratando das cenas políticas brasileiras, aí incluídos os gestores, seus protagonistas, ultrapassaram o maquiavelismo e adotaram a disfarcatez como a prática comum. Não há uma dia em que não haja um escândalo, de pequena ou grande proporções, envolvendo a administração pública. E as respostas são as mais óbvias: eu não sabia, vamos formar uma comissão de sindicância para apurar os fatos, algumas defesas amarelas, algumas acusações esfarrapadas e o fato das pessoas nele envolvidos saírem de cena, por alguns dias, e voltarem em outra posição e, muitas vezes, com poderes maiores.

 

O atual escândalo das licitações públicas com cartas marcadas adensa esse teatro de obviedades. Eu jamais entendi os critérios utilizados para o preenchimento de cargos públicos, mas, pelas conseqüências, dá para se imaginar. O que para o cidadão ou a sociedade deveria ser exceção, para o poder constituído é regra. A expressão “rês pública” é levada ao extremo e tudo o que é público passa, data vênia, a ser algo que pode (e deverá) ser saqueado, e expoliado. A certeza da impunidade oferece o fundo de garantia para esses gestores que desviam o nosso erário.

Eu, particularmente, aceito mais o fato consumado do desvio de recursos públicos do que as caras e bocas dos envolvidos oferecendo a sociedade as mais desonestas explicações ao se sentirem ofendidos por terem de prestar esclarecimentos a quem de direito, não à justiça, que é cega, surda e manca, mas ao povo. A exclamação é um acinte nacional.  Quem não convive com a certeza de que licitações públicas são procedimentos burocráticos para encobrir engodos sob o manto da legalidade, certamente não vive ou participa de licitações públicas.

 

Quem?

 

Eu não sei de nada.

 

Isso quando há licitações, pois, na maioria das vezes, quando os contratos são altos, essas, com justificativas “stand up” são fraudulentamente dispensadas. As caras limpas dos envolvidos provocam risos inevitáveis como palhaços em um grande picadeiro. E, infelizmente, o desrespeitado público somo nós.

 

E os tais superiores?

 

Surpresas, exclamações, opiniões cifradas, que apenas desgastam o combalido sentido da cidadania brasileira, tão bem aquinhoada nas propagandas governamentais, promessas de punição no rigor da lei, tudo encenação que constata que a política brasileira vive da pobreza e o máximo que ela merece é uma bolsa qualquer e o acesso ao tesouro é para uma minoria que desvia o que pode e não sabe que o fizeram.

 

Não houve desvio.

 

Nunca!

 

Nunca?

 

Foram meras falhas procedimentais de sobras de campanha, doações anônimas, empréstimo de amigos, prêmio da loteria etc. Alguém já ouvia essas explicações? E de procedimento em procedimento, de disfarcatez em disfarçatez crescem as filas dos espoliadores da rês pública e dos assistidos pelos programas sociais, que são tantos e tão pequenos, que cabem numa bolsa.

 

Calma!

 

Bem, eu vou ao supermercado. A patroa já está com a cara feia. Além das compras da semana, vou amarrar uma fita no dedo para não esquecer de comprar um vidro de óleo de peroba. Quem sabe eu receba uma visita inesperada de uma dessas autoridades e tenha que lhe dispensar o tratamento merecido. Seguro morreu de velho, prevenido continua em algum cargo de confiança em alguma repartição pública pelo Brasil a fora.

 

Fui!

(ELOGIO A OBVIO, artigo de autoria de Adauto José de Carvalho Filho, AFRFB aposentado, Bacharel em Direito, Consultor de Empresas, Contabilista, Pedagogo, escritor e poeta)



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Escrito por ADAUTO CARVALHO às 20h48
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O POBRE HOMEM MAIS RICO DA CHINA

 

 

Nem tanto, nem tão pouco!

 

Eu não simpatizo com extremos. Pela lógica aristotélica o ideal está sempre no equilíbrio, mas essa notícia é digna de ponderações. O homem mais rico da China vive com R$ 40,00 (quarenta reais) por dia (UOL, edição 16.11.2012). O chinês Zong Oing Hou é uma figura singular, dono da maior fortuna da China e avaliada em 20 bilhões de dólares, sem pretender ser exemplo, leva uma vida simples, faz as refeições na cantina de uma de suas empresas e, sorridente, afirma que gasta menos que os seus operários. Outro aspecto importante: faz ricas doações para entidades filantrópicas. É o verdadeiro filantropo, doa sem alarde. O importante é fazer o bem, não ser o protótipo do bem e fazer da filantropia uma forma de alpinismo social.

 

No decorrer da reportagem o assunto se torna mais curioso. A simplicidade em que vive não bastou para ser um exemplo para a família. Quem sabe, talvez, tenha provocado um efeito inverso. O "gene da frugalidade", no entanto, não parece ter sido "herdado". A BBC de Londres foi informada que o Lamborghini estacionado na entrada da empresa pertence à sua filha. A reportagem não mostra qual o carro utilizado pelo chinês, mas depreende-se que jamais seria um “Lamborghini”, assim quarenta reais diários não daria nem para o combustível.

 

A sua história se assemelha a de milhões de chineses. Começou na base da pirâmide social e, de bicicleta, vendia picolés. Haja picolés. Zong Oing Hou ainda arrisca um conselho para os novos dirigentes da China pelos próximos dez anos e, no alto da sua experiência, ensina que o país tem que enfrentar o enorme e crescente problema da desigualdade social: muitos aqui ainda são pobres, muito pobres. Esse fosso social se tornou um problema enorme e fonte de muita insatisfação", disse sem fazer qualquer crítica.

 

Pasmem, um chinês, comunista e capitalista, mostra que o câncer que devasta a China, apesar da curva de crescimento econômico que abala o mundo, é a desigualdade social e, se faz exemplo de simplicidade e bem diferente dos camaradas da China e de outros países comunistas que vivem nababescamente, enquanto os concidadãos morrem de fome, frio ou vítima de perseguições políticas ou guerras. Recentemente, a Revista Veja publicou uma reportagem sobre a Rússia dos sonhos em que vive Puttin. A ideologia comunista, na prática, socializou a riqueza e as oportunidades para poucos. Ser camarada é bom, mas no topo da pirâmide.

 

Se o exemplo do homem mais rico da China for transportado para o Brasil escancara o país para a mesma realidade da desigualdade social e, paradoxalmente, a riqueza com que vivem alguns Brasileiros. E a simplicidade? Aí, talvez, esteja a diferença entre os Eikes e Zong Oing Hou. O exemplo! O nosso homem mais rico é uma estrela, cadente ou não, mas uma estrela e como bom brasileiro doa, se doar, as sobras e acha o máximo ser filantropo. Os Eikes são ricos e muito ricos a partir de concessões e permissões do governo para explorar, geralmente em regime de monopólio, alguma atividade econômica e do governo fica freguês. Dos recursos públicos a serem gastos na Copa do Mundo de Futebol, a maior fatia vai para os Eikes. Para o chinês Zong Oing Hou basta uma “copa” e cozinha.

 

Em nenhum momento procuro externar juízo de valor, mas uma confrontação de situações semelhantes. Que bom seria se Eike Batista tivesse começado a vida vendendo picolés. O caro leitor há de concordar comigo que herdando um império siderúrgico a coisa fica bem mais fácil. Eu não sou contra a riqueza, ao contrário, a admiro, assim como admiro a história de homens peculiares como o chinês. Ninguém é obrigado a dar nada a ninguém, mas, convenhamos, a desigualdade social grassa o país. Só no velho elefantinho mais de um milhão de pessoas vivem sem renda, apesar da vergonhosa postura do governo brasileiro de se manter no poder com a falácia de programas assistencialistas e clientelistas.

 

E a distribuição de renda?

 

Bom, isso eu não sei, mas os Eikes vão muito bem obrigado.

 

É ruim, hein!

(O  POBRE HOMEM MAIS RICO DA CHINA, artigo de autoria de Adauto José de Carvalho Filho, AFRFB aposentado, Bacharel em Direito, Contabilista, Pedagogo, escritor e poeta).




 



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Escrito por ADAUTO CARVALHO às 10h57
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PACIFICAÇÃO

 

 

 

As cenas de guerra, os blindados avançando nas vielas estreitas das favelas, uma população alheia entrecortando o cenário, homens armados até os dentes, a iminência de um conflito apresenta uma certa dúvida às precipitadas manifestações dos dirigentes e altas autoridades encarregadas das seguranças pública e nacional, já que a operação unificou os esforços de toda as armas e comemoram a vitória.

 

O Estado tenta cumprir o seu papel. O crime deve ser punido da forma mais severa e, no caso do Rio de Janeiro, a repressão tem que ser pesada. Até aqui tudo é concorde. O que me banaliza os ouvidos é a utilização repetida da palavra pacificação.

 

Promover a paz é tão fácil assim?

 

Se a retórica é verdadeira por que o Estado demorou tantas dezenas, centenas de anos para promovê-la? Ou será que o desfile de tropas e a prisão de alguns bandidos dão a sensação de uma falsa pacificação? E quando o caveirão abandonar o morro, os blindados voltarem para os quartéis, os helicópteros voltarem a servir de transporte de autoridades como ficarão as comunidades do Complexo do Alemão, da Rocinha e do Pavãozinho?

 

Uma coisa é certa. O Estado quando quer, não importa a motivação, principalmente no interesse de seus dirigentes, ele é capaz de ser proativo. O problema é que ele deveria ser sempre proativo. Enquanto as balas se entrecortam nas favelas cariocas, outros cidadãos morem à míngua nos hospitais públicos, culpa da extinção da CPMF, lógico; estudantes freqüentam escolas decadentes, a merenda escolar é desviada por alguma providência dos deuses, o transporte público é um horror, as estradas matam mais do que uma guerra de verdade, entre outras deformidades e, a pergunta que não quer calar: aonde está o Estado que é proativo quando quer?

 

A resposta é conhecida. Não há como cobrir as necessidades sociais. Não? E para que serve o Estado? Eu recordo os bons tempos do Curso de Direito, atuais, já que terminei o curso com 58 anos, assistindo uma palestra de uma autoridade da Secretária de Defesa Social do meu Estado e, atônito, ouvi em alto e bom som: “o potiguar tem que se preparar para contratar segurança particular”. Eu, atrevido como sempre, levantei e perguntei à autoridade se ele conhecia (ou tinha consciência) dos deveres constitucionais do Estado, as competências de sua função como autoridade do governo e a burrice que tinha dito. E completei, se eu pensasse assim jamais aceitaria o cargo que o senhor ocupa para ser coerente com o que pensa e, indiretamente, não jogar dinheiro público pela janela.

 

Ajoelhou tem que rezar!

 

Confusão geral. A turma do deixa disso interveio e a tal palestra foi concluída rapidamente e a alta autoridade saiu voando baixinho.

 

Quando a esmola é grande o cego desconfia. Acho que depois das encenações cariocas a paz vai terminar sem ter começado. Afinal, alguém conhece a pena sofrida por Abel por ter matado Caim? Eu nunca li a Bíblia, mas garanto que não há registro da entrada ou saída do mesmo, mesmo que tenha sido por um breve tempo, de nenhum presídio do mundo. E o Oriente Médio, parece-me, não encontrou ainda a paz. Acho que vou sugerir aos pacificadores das citadas favelas a darem um espetáculo por lá. Afinal, de amor Roberto Carlos já falou em Jerusalém... em uma cidade cenográfica.

 

Aí está uma idéia genial! Ainda dizem que a turma de Hollywood é criativa. Tudo o que é de mentirinha é fácil.

Falando em mentira, perguntar não ofende. E as drogas vão circular por onde? Pelo pouco que sei (ou pelo que foi anunciado), os consumidores não foram presos ou molestados e se fossem, certamente, as zonas nobres do Rio de Janeiro ficariam vazias e os inferninhos virariam variáveis do céu. Uma pacificação de mentirinha é bem mais fácil. Basta concentrar os formadores de opinião, colocar efetivos na ruas, mostrar alguma disposição para agir, reportagens, cobertura ao vivo, entrevistas, e a pacificação se faz. As demais responsabilidades do Estado ficam expostas no ar, onde deveriam estar os helicópteros comprados para fazer a segurança pública e voam, sem segurança e sem o interesse público.

 

Eu não sou contra o mais ferrenho combate ao crime. O que me deixa indignado é a falseta comum ao poder público brasileiro de transformar tudo em exemplo de uma eficiência que está longe de ser atingida. Bang! Cuidado, pode ser uma bala perdida, como perdidas são as palavras fáceis de autoridades que utilizam os palanques da hora para apregoar uma pacificação em comunidades que ainda sofrerão muito com a violência no cotidiano de suas vidas. Combater sim, arvorar uma suposta pacificação para si, com visíveis interesses políticos, não. O povo não merece. Já bastam as estatísticas de mortes violentas comparadas a uma guerra civil e o sofrido lembrar de seus entes queridos que se foram, pelo que se depreende, pela mais total ausência e ineficiência do Estado, afinal, pacificar, dizem, é muito fácil. Já nos ensinava o grande jurista Barbosa Lima Sobrinho, que a solução para a violência é relativamente fácil: a punição dos culpados.

 

Eu relembrei da estória do recruta fofoqueiro que serviu o exército no tempo dos governos revolucionários. O homem era incorrigível e espalhava boatos contra a revolução por onde passava. Cadeia já não funcionava. Um sargento, então, teve uma grande idéia: simular um julgamento sumário e decretar um pena de fuzilamento. E assim foi feito. O coitado do fofoqueiro de olhos vendados e o sargento bradando: atenção pelotão, 1, 2, 3, ... foram sete tiros. O fofoqueiro no primeiro tiro desmaiou de medo. Levaram o coitado para o catre. O sargentão, no dia seguinte, fez uma preleção e soltou o prisioneiro. Ao sair ileso do quartel encontrou um amigo de infância que perguntou como estavam as coisas. O fofoqueiro, temeroso, olhou para um lado, olhou para o outro e não se agüentando chamou o colega para perto dele e disse baixinho:

- estamos ferrados. Os comunistas vão vencer. O exército está falido. Até as balas são de festim!

 

A gente agüenta cada uma! 



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Escrito por ADAUTO CARVALHO às 18h10
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CAMPANHA POLÍTICA 2012

 

Como diria o amigo Ekner, a campanha política é uma onda ou, como diria o grande Babau, realmente!

Durante a campanha eleitoral municipal 2012 postamos vários artigos relacionados às futricas e titcas observadas no período eleitoral e buscamos uma análise com senso de humor, apesar da abordagem séria, refexiva. As futricas e titicas do folclore político, como a do PT de entrar em juízo para um dos candidatos que foi para o segundo turno não usar a estrela como símbolo de campanha (O DONO DAS ESTRELAS, UOL, 23.10.2012) são diretamente proporcionais a (falsa) estatura do político no sistema eleitoral. Quanto mais importante, mais besteira diz e, assim, se imortilizam e imortalizam o genial Stanaslaw Ponte Preta, colunista político de algumas décadas passadas, autor do livro FESTIVAL DE BESTEIRA QUE ASSOLA O PAÍS. O Ponte Preta ( o cronista, não o time de futebel) morreu, mas as besteiras continuam elegendo e reelegendo os homens da república brasileira. É o político brasileiro e seu complexo de caranguejo: só anda para trás e o brasileiro em sua sombra. Somos um país caminhado para o futuro e um povo e seus líderes andando para trás. No Brasil o voto não é obrigatório nem facultativo, é comprado. Livremente. E a ordem estabelecida continua a se achar diligente e pedagógica... para trás. Fazer o que? O ideal seria uma releitura dos nossos ditados populares, quem sabe, começando por: em terra de cego que tem mum olho... é caolho. Certamente, surgirão em breve um programa BOLSA BRAÇO CURTO e tudo continua como antes no quartel de abrantes.



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Escrito por ADAUTO CARVALHO às 17h20
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CAMPANHA POLÍTICA 2012

 

 

 

POLÍTICOS

 

Os homens se confundem com os cargos/ Se acham importantes como soberbos senhores/E, importantes, se impõem arrogantes, amargos/ Fantasia infeliz para a ausência de valores.

 

Do povo, como ladrões, o voto alicia/ Desfruta seu poder na pobreza que eternizam/ Se apresentam como solução, pura malícia/ Enganadores do povo e ao povo martirizam.

 

O poder é eterno e passado de mãos em mãos/ Não há compromisso com o povo, com o país/ A pobreza e a miséria é a certeza da próxima eleição.

 

O povo coitado padece sem cobertor e pão/ A pobreza e a miséria dividem muitos brasis/ E o político prossegue sorrindo em grande encenação.

 

PODER

 

Mísseis destroem o mundo sem qualquer motivação/ A vida tem o valor do ágio das venenosas negociatas/ Os poderosos brincam com o mundo como encenação/ De um filme de guerra que o mundo destrói e mata.

 

De que vale uma vida/ Na Bolsa de Valores nada, a vida é dinheiro/ E seguem crendo em falsa medida/ De que o mundo tem dono, um dono para o mundo inteiro.

 

E assim segue a história da humanidade/ O homem explorando o homem e o homem matando/ Nada impede a corrida da riqueza e da torpeza.

 

Não há fé, Deus ou felicidade/ A humanidade é manada de gente se enfentando/ Sem conhecer o verdadeiro inimigo, cruel incerteza.

 

 

LIBERDADE

 

Acordei entristecido, olhos translúcidos/ A manhã de inverno aumentou a ansiedade/ Busco no horizonte caminhos conhecidos/ De quem viveu em razão da liberdade.

 

As paisagens cotidianas se confundem/ Com os ideais que ao acordar ficaram no anoitecer/ São ruas e praças que ao passar se fundem/ Com cenários livres que sonhei um dia viver.

 

A liberdade, uma abstração da padece nas utopias/ Estrada que sinalizava o encontro com a felicidade/ Um novo paralelo adorna o mundo e com temor silencio.

 

Caminho, sem caminhos, caminhos sem alegrias/ Contorno os sonhos e dos sonhos levo saudade/ De outras manhãs de paz que à paz penitencio.

 

  

 



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Escrito por ADAUTO CARVALHO às 17h18
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LIVROS PUBLICADOS (1)

 

 

ESSA RECEITA É UM CAUSO FEDERAL

 

Um causo é um causo.

 

Não tem origem ou autoria, data ou local de ocorrência. Todos são manifestações espontâneas. Ninguém se reconhece em um causo. Sempre o atribui a outrem. Os causos são hilárias releituras do cotidiano. Não são programados, apenas acontecem, em determinado dia, e, pela criativa ação de seus contadores, passam a ser revividos todos os dias, tempos afins. É a forma mais simples, humana e amiga de se eternizar um momento vivido com a singeleza da amizade.

 

Um causo é um eterno mutante.

 

Os personagens, os locais, as épocas mudam ao sabor da motivação, e da visão aguçada e passional do contador. Os muitos causos que procurei apresentar nesse pequeno livro, escrito por um amigo que se despede da Receita Federal, depois de cumprido o seu tempo de serviço e pago todos os pedágios impostos pelas muitas reformas previdenciárias, é uma modesta homenagem para uma legião de amigos que ainda permanecerão na organização, se aposentaram ou, infelizmente, morreram; e que permanecerão, em nossos corações, com seus causos, contados de geração para geração, acrescidos, sempre, de novas sacanagens, e, assim, em vez de esquecidos, se tornam uma linda lembrança para aqueles que souberam, com amizade e graciosidade, viver ou apenas ouvir, os muitos causos acontecidos durante o decurso de sua vida funcional.

 

O presente livro “ESSA RECEITA É UM CAUSO FEDERAL” foi escrito com a pretensão de resgatar, mediante a narrativa de dezenas ou centenas de “causos” que embalaram os meus dias na Receita Federal do Brasil e, de alguma forma, da maioria dos colegas que ainda cumprem o seu tempo e ser um exemplo a ser mantido pelas gerações mais novas que têm a missão de nos substituir nos exercício das atribuições de competência e, também, como personagens da história do órgão a que servem e, como eu e todos os da minha geração e das gerações passadas, dedicarão os seus melhores dias à organização e, em breve, o seu tempo será findo e tudo se tornará uma lembrança a ser contada, como fato, história ou causo.

 



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Escrito por ADAUTO CARVALHO às 17h10
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LIVROS PUBLICADOS (2)

 

 

O SILÊNCIO DAS UTOPIAS

 

Para que serve a poesia?

 

Foram inúmeras as vezes quando, ainda adolescente, comecei ou externei o hábito de rabiscar pequenas poesias, que me fizeram essa pergunta. Uns perguntavam por pura gozação ou machismo, comum àquele momento de vida, outros por ignorância ou insensibilidade. Tempos depois, mesmo pessoas com um bom nível cultural, talvez tentando externar uma superioridade racional sobre a vida, repetiam a mesma pergunta.

 

Eu, introspectivo, sempre respondia: para que serve a palavra?

 

As discussões varavam as fronteiras do assunto e se dispersavam nos posicionamentos pessoais. Para mim a resposta era muito simples. As palavras formam as sentenças, as sentenças o sentido ou entendimento do que se pretende comunicar, enquanto que as poesias, usando as mesmas palavras provocam a abstração, a reflexão, a contemplação. A palavra penetra o mundo do conhecimento, a poesia o mundo dos sentimentos.

 

A diferença é tão clarividente que de cada pessoa que lê uma poesia pode interpretá-la de forma diferente, levadas, geralmente, pela emoção do cada que está vivendo. O amor pode ser êxtase ou decepção. A poesia provoca a possibilidade de se falar de “amor” com as diversas conotações exigidas pelo mundo dos sentimentos.

 

O problema é que os seres humanos negam ou menosprezam esse mundo, embora busque-o, por toda a vida, como o objetivo maior da própria vida, o amor e a felicidade.

 

 CLAUSURA

 

O grande papel da poesia é oferecer conotações distintas para cada leitor. Momento e sentimento são os diferenciais de cada olhar e da interpretação que mais lhe preencher o peculiar mundo das emoções. Para um leitor, poesia e poeta se confundem. As alegrias ou tristezas expostas num poema são reflexos da alma do poeta.

 

Ledo engano.

 

O poeta também é um leitor e descreve o seu olhar sobre determinado tema com o abstracionismo intrínseco aos gestos contemplativos. É comum associarmos a vida às alegrias. São muitos os momentos alegres, talvez a maioria, e por isso vividos com a intensidade da vida e consumidos pelas emoções e sentimentos. Mas existem momentos tristes.

 

Estes tendem a permanecer em nosso íntimo por mais tempo e com mais intensidade e se incorporam à nossa forma de ver o mundo, que se anuvia, aos poucos, no decurso de nossa vida. Para o poeta, os momentos são momentos e devem ser vistos e percebidos com a sensibilidade contemplativa daquele instante em particular. Um poema triste, portanto, não significa que o poeta seja triste ou infeliz. O contrário também é verdadeiro, recíproco.

 

RECOMEÇO

 

Há momentos, por mais previsíveis que possam ser, que trazem em si algo de surpresa, algo de inesperado. A aposentadoria é um desses momentos. Um elo se rompe na cadeia natural da vida e o tempo se transforma de duas realidades: uma passada, vivida, como seus momentos bons e maus momentos e uma outra que se apresenta desconhecida e dispersa nas possibilidades do futuro.

 

Sessenta anos.

 

Aos sessenta anos não é fácil cruzar essas linhas. Depois de uma jornada de vida dedicada ao trabalho como servidor público, recomeçar novas estradas de vidas, novas possibilidades de caminhos é uma tarefa que requer uma determinada crença na vida e no futuro. Não que não estejamos preparados sob o ponto de vista técnico ou profissional, mas pela ruptura de um universo construído ao nosso redor, anos a fins, e que imaginávamos mundo, um universo particular. Mas o mundo é maior do que imaginávamos e abrange outros mundos, inclusive, aquele

que você que escolherá como nova estrada de vida.

 

Eu me refiro à dificuldade comum do servidor aposentado, apesar dos muitos projetos de vida imediatos à aposentadoria, ficar restrito a condição de aposentado. Uns por opção própria, outros pelas dificuldades de readaptação em um universo profissional diferente, por vezes desconhecido ou hostil. Os processos de mudanças exigem preparo emocional e profissional e uma imensa determinação para enfrentar os muitos percalços que surgirão, até que o novo mundo ou o mundo se torne cenário de sua nova fase de vida.

 



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Escrito por ADAUTO CARVALHO às 17h04
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O DONO DAS ESTRELAS

 

 

 

Olhem para o céu e desfrutem.

 

O negro manto bordado de luminosas estrelas, obra de Deus, inspiração dos poetas e cantores e o único cobertor para os pobres e miseráveis pode ser negado ou reclamado na justiça. A sociedade só tem direito a escuridão da descrença e da subversão aos sonhos.

 

As estrelas, outrora um presente de Deus, agora estão sendo reclamadas pelo Partido dos Trabalhadores (PT) como sendo propriedade sua e ajuizando ação contra um dos candidatos que utiliza, como símbolo de sua campanha, uma estrela. Um pecado mortal. Utilizar uma estrela é uma afronta a uma ideologia que foi repudiada pela sociedade e, com brilho ou sem brilho, logrou um esquecido terceiro lugar que, de tão comum, não é lugar nenhum.

 

Lugar nenhum.

 

O candidato de Lula, Dilma, José Dirceu, Delúbio Soares, José Genoino, Paulo Maluf não logrando êxito nas urnas (não se sabe se por rejeição ao candidato ou aos apoios recebidos) e não tendo o que fazer ameaça o candidato Hermano de Morais pela utilização indevida do símbolo de um estrela. As estrelas pertencem ao PT. Eu lembrei daquela história: quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? Quem existe há mais tempo a estrela de cinco pontas ou o PT? Ainda bem que perdeu a campanha. Se o primeiro ato pós-eleições é de tamanha tolice imaginem as tolices tamanhas que não cometeriam no exercício da prefeitura de Natal.

 

O engraçado é que nenhum partido reivindicou a patente do mensalão. No Brasil as coisas são passionais. Ou fraque e cartola ou a bunda de fora. Eu não sou religioso e pouco conheço de estrelas, mas imagino Salomão, o grande monarca reconhecido pela práxis da equidade reclamasse do PT a utilização indevida da estrela de cinco pontas. A nação judia, do único símbolo que lhe resta. O nazismo, reclamando em juízo, que o PT copiou a estrela das braçadeiras usadas pelos judeus durante o III REICH, o time co cruzeiro, a seleção brasileira, a bandeira nacional de centenas de países que ostentam estrelas como seus símbolos máximos. É duro amigo, a gente é obrigado a conviver com cada tolice que fica difícil dispensar o psicólogo.

 

As estrelas, pasmem, são do PT

 

E a que guiou os Reis Magos em busca do Messias que nascera para salvar o mundo e que, também, simboliza a cidade do Natal, também é do PT? Fazendo uma releitura do pensamento de Pedro Velho que nos deixou de legado a citação de que “em política só tem um coisa feia, perder”, complementamos que em político que não tem brilho próprio e precisa usurpar-se das estrelas da humanidade e negar ao povo, a quem deveria respeitar, o lindo brilho das estrelas de um céu de todos ou uma mera estrela do time mais querido, sem a preocupação de ser processado pelo PT, é besteirol extremado. Titica Pura.

 

Será que nos grandiosos planos que embasaram o mensalão e a ilusão do poder perpétuo, havia algum plano secreto de comprar as estrelas do céu? Sei não. Vou perguntar ao irmão Mazinho. Mas, como diz Max Gringer, consultor de empresas, em toda reunião há os que fazem o papel de estrelas e os que desenham estrelas de papel. Agora embananou tudo. Por favor, chamem alguém estrelado para resolver essa questão ou, em sua ausência, invoquem Salomão, esse sim entende de estrelas. A dúvida é que não pode persistir. Se o céu e as estrelas já não pertencem ao povo de Deus, o que esperar de um futuro onde partidos políticos brigam por uma estrela.

 

É muita falta de brilho.

 

Argh, argh, argh...

 

(O DONO DAS ESTRELAS, artigo de Adauto José de Carvalho Filho, Auditor-Fiscal aposentado, Bacharel em Direito, pedagogo, contabilista, escritor e poeta).

 

 

 



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Escrito por ADAUTO CARVALHO às 21h33
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Meu perfil

Servidor Público Federal Aposentado como Auditor-Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB), com especialidade em Administração Tributária e Inteligência Fiscal, Experiência como Administrador Tributário na Delegacia da Receita Federal em Natal-RN, por dois períodos, e como Superintendente Adjuno da Secretaria da Receita Federal do Brasil na 4ª Região Fiscal, onde exerceu a Coordenação de Programas Especiais de Fiscalização e Repressão ao Contrabando e ao Descaminho, Planejamento Estratégico das áreas de Administração Tributária e de Recursos Humanos, pedagogo, contabilista, Bacharel em Direito, escritor e poeta.


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